STEM no feminino: Igualdade, direitos e futuro
Para dar a conhecer as oportunidades reais às jovens portuguesas nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), a DECOJovem vai promover uma Digital LAB (conversa online) com a participação da Happy Code, no dia 19 de janeiro, às 15h10.
Nas últimas décadas, a ciência, a tecnologia, a engenharia e a matemática, as áreas STEM, assumiram-se como pilares estruturantes da sociedade moderna. Estas áreas impulsionam a inovação, sustentam a economia digital e moldam novas formas de comunicar, trabalhar e consumir. Contudo, apesar deste papel central, as mulheres continuam significativamente sub-representadas nestes domínios, tanto na Europa como em Portugal. Esta desigualdade manifesta-se na educação, no acesso a oportunidades e no mercado de trabalho e é, acima de tudo, uma questão de direitos e equidade.
Promover a presença das mulheres e raparigas nas STEM não é apenas uma meta educativa: é uma condição essencial para garantir uma inovação verdadeiramente inclusiva, proteger os(as) consumidores(as) e construir um futuro mais equilibrado, justo e representativo.
Ao nível europeu, os números falam por si. Em 2021, apenas 32,8% das mulheres concluíram formações nas áreas STEM. No ensino profissional (VET), a disparidade é ainda mais expressiva: somente 16,1% das estudantes escolheram percursos ligados à ciência e à tecnologia.
Em Portugal, a realidade não diverge desta tendência. Apenas 31,3% dos(as) estudantes do ensino superior em áreas STEM são mulheres, um valor abaixo da média europeia e distante da meta definida pela União Europeia para 2030: 40%. No ensino profissional, o cenário é ainda mais desafiante: apenas 10,9% das raparigas optaram por cursos ligados às STEM.
Estes dados revelam um paradoxo evidente: embora as mulheres representem a maioria dos(as) estudantes universitários(as), continuam afastadas exatamente das áreas que mais determinam a inovação, o desenvolvimento económico e o desenho tecnológico do futuro.
STEM, consumo e direitos no feminino
A desigualdade de género nas STEM não é apenas um problema estatístico, tem um impacto direto na vida das consumidoras e de toda a sociedade. Quando as mulheres não participam plenamente na criação, conceção e desenvolvimento de tecnologia, os produtos e serviços disponíveis correm o risco de não refletir as necessidades, vivências e expectativas de toda a população. Garantir a presença de raparigas e mulheres nas STEM é, por isso, essencial para desconstruir preconceitos antigos, alargar horizontes e inspirar novas gerações que crescerão com uma visão mais justa, crítica e diversa da tecnologia e do conhecimento.
Portugal: iniciativas que fazem a diferença
Portugal tem vindo a investir em programas e iniciativas que procuram inverter esta tendência e promover uma participação feminina mais ativa e confiante nas STEM:
- Programa Nacional de Raparigas nas STEM – criado para aumentar a presença feminina na ciência e na tecnologia, promovendo oportunidades e visibilidade.
- Happy Code - escola de tecnologia que tem como missão formar pensadores, criadores e empreendedores do futuro.
- Redes e projetos de empowerment feminino nas TIC e nas STEM, financiados pelo Portugal 2030, que incentivam a formação, a liderança e a participação das mulheres nestes setores.
Estes esforços mostram que transformar o panorama é possível, mas requer continuidade, investimento e o envolvimento ativo das escolas, das famílias e dos(as) próprios(as) jovens.
Como acelerar a mudança?
Construir um futuro mais igual exige uma ação concertada, consistente e inspiradora. Para isso, é fundamental:
- Apresentar, desde cedo, modelos femininos na ciência e na tecnologia, tornando visível o que tantas vezes permanece invisível.
- Combater estereótipos nos processos educativos, abrindo espaço a escolhas livres e informadas.
- Promover metodologias de aprendizagem inclusivas, que valorizem a diversidade de aptidões, formas de pensar e ritmos de aprendizagem.
- Reforçar a confiança das raparigas e garantir o seu acesso a experiências científicas e tecnológicas significativas.
- Apoiar projetos extracurriculares que desenvolvam competências digitais, criatividade, pensamento crítico e resolução de problemas.
A presença de raparigas e mulheres nas STEM é mais do que um indicador estatístico: é um alicerce fundamental para uma sociedade mais equilibrada, inovadora e democrática. Não se trata apenas de números, trata-se de garantir que todas as pessoas têm a oportunidade de participar na construção do futuro tecnológico que moldará as suas vidas enquanto consumidoras, cidadãs e profissionais.
Para a DECOJovem, discutir “STEM no feminino” significa, também, promover direitos, literacia crítica e inclusão.
Por isso, a não perder!
As inscrições na Digital LAB com a participação da Happy Code, no dia 19 de janeiro, às 15h10 podem já ser realizadas na Área do Professor.
Será uma oportunidade única para descobrir como funciona o programa, como participar e de que forma este movimento global está a transformar a presença feminina na tecnologia.
Investir nas raparigas hoje é preparar um futuro mais justo, mais criativo e mais capaz de enfrentar os desafios da era digital.
Referências Bibliográficas
[1] Eurostat — “Women totalled almost a third of STEM graduates in 2021”. Retirado de: https://ec.europa.eu/eurostat/web/products-eurostat-news/w/ddn-20240308-2
[2] Comissão Europeia — “A STEM Education Strategic Plan: skills for competitiveness and innovation (2025)”. Retirado de: https://education.ec.europa.eu/sites/default/files/2025-03/STEM_Education_Strategic_Plan_COM_2025_89_1_EN.pdf
[3] Eurostat — “Women make up 52% of science & technology employment” (2023). Retirado de: https://ec.europa.eu/eurostat/web/products-eurostat-news/w/ddn-20240613-2
[4] Education and Training Monitor 2025 — Portugal (Comissão Europeia). Retirado de: https://op.europa.eu/webpub/eac/education-and-training-monitor/en/country-reports/portugal.html
[5] EDULOG, Fundação Belmiro de Azevedo — “Apenas 3 em cada 10 inscritos em cursos STEM são mulheres”. Retirado de: https://www.edulog.pt/artigos/em-analise/apenas-3-cada-10-inscritos-em-cursos-stem-sao-mulheres