Alimentação e Redes Sociais: “Tudo o que eu como num dia”
De vídeos de receitas a desafios alimentares, passando por tendências como o What I Eat In A Day, as redes sociais estão cheias de conteúdos sobre alimentação. Mas será que aquilo que vemos no nosso feed influencia as nossas escolhas alimentares? E de que forma?
Foi para explorar esta questão que a DECOJovem promoveu, no dia 15 de outubro, a Digital Lab «Alimentação e as Redes Sociais», com a participação da nutricionista Helena Trigueiro. A sessão reuniu mais de 2000 jovens de todo o país e, ao longo de 60 minutos, desafiou os alunos a refletir sobre a influência das redes sociais nos seus hábitos alimentares.
Através de exemplos de conteúdos do TikTok e do Instagram, os participantes exploraram o papel dos influenciadores, das marcas e dos algoritmos na divulgação de tendências e na forma como fazemos escolhas. O objetivo? Desenvolver um olhar mais crítico sobre os conteúdos relacionados com alimentação e aprender a distinguir informação credível de mensagens potencialmente enganadoras.
Como é que as redes sociais podem influenciar a alimentação dos jovens?
De acordo com um inquérito da Comissão Europeia, os adolescentes portugueses (entre 13 e os 18 anos) passam, em média, 6,7 horas por dia em frente a ecrãs ao fim de semana, um dos valores mais elevados da União Europeia. Com tantas horas online e tantos conteúdos a surgir no feed, é importante perceber como esta exposição pode influenciar os hábitos alimentares dos jovens.
A influência das redes sociais nos padrões de consumo alimentar podem assumir uma direção saudável ou não saudável, de acordo com quem cria, seleciona e distribui os conteúdos. (1) Os conteúdos digitais podem dar a conhecer novas receitas, inspirar a experimentar alimentos diferentes e divulgar informação útil sobre alimentação. No entanto, também podem promover tendências pouco saudáveis ou transmitir mensagens que nem sempre são credíveis. A investigação tem associado a exposição às redes sociais a padrões alimentares menos favoráveis em crianças e adolescentes, incluindo maior consumo de snacks pouco saudáveis e bebidas açucaradas, menor consumo de fruta e hortícolas e maior probabilidade de saltar refeições, nomeadamente o pequeno-almoço. (1)
Entre vídeos, trends e desafios, as escolhas alimentares podem ser influenciadas por aquilo que os jovens veem repetidamente, pelas recomendações dos influenciadores e pelos conteúdos que as plataformas lhes mostram.
What I Eat In A Day: inspiração ou comparação?
Vídeos com o título What I Eat In A Day - «O que como num dia» - mostram aquilo que uma pessoa come ao longo do dia e podem ser uma fonte de inspiração para descobrir receitas ou novas combinações de alimentos. Mas será que aquilo que funciona para uma pessoa é adequado para todas? Estes conteúdos também podem incentivar a comparação e influenciar a forma como os jovens percecionam a alimentação e a imagem corporal.
É importante lembrar que cada pessoa tem necessidades nutricionais, gostos e rotinas diferentes. A alimentação de um influenciador não deve ser vista como uma regra a seguir nem como um modelo universal.
Por isso, antes de reproduzir uma tendência alimentar, vale a pena questionar quem criou o conteúdo, com que objetivo e se a informação apresentada é credível.
(1) (Uclés-Torrents MM, Ruiz-Gamarra GE, Aparicio-Martínez P. Social Media Use, Affect, and Dietary Choices Across Age Groups—Insights from the Special Issue “The Impact of Social Media on Eating Behavior.” Nutrients [Internet]. 2026 Jan 21 [cited 2026 Oct 6];18(2):335. Available from: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12845257/#B2-nutrients-18-00335)