Queres aprender a surfar este verão?

São poucas as praias sem escola de surf: o mar está sobrelotado e os acidentes acontecem, acusam os críticos. Para saber se a fiscalização é eficaz, estudámos 40 escolas das praias mais conhecidas.

A procura pelas escolas de surf tem vindo a aumentar e estima-se já em 400 milhões de euros o volume de negócios anual gerado por esta indústria. Mas mais surfistas no mar é um cenário que tem potenciado as queixas: algumas praias estão sobrelotadas e os acidentes acontecem.

A DECO, para saber mais sobre esta realidade, estudou 40 escolas de oito zonas representativas do surf. A Autoridade Marítima, Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE), Instituto do Desporto e da Juventude, Ministério do Ambiente, Turismo de Portugal e Federação Portuguesa de Surf são as entidades com responsabilidades nesta área.

A DECO fez-se ao mar:

Recorrendo à técnica do cliente-mistério, os nossos inquiridores vestiram a pele de pais de jovens à procura de uma escola de surf. Tratou-se de um estudo por cenário, uma fotografia de momento destinada a caracterizar as condições oferecidas. Escolhemos oito zonas populares de surf: Cascais, Costa de Caparica, Ericeira, Peniche, Nazaré, Matosinhos, Figueira da Foz e Costa Vicentina. Visitámos um total de 40 escolas, quase todas junto à praia.

Os resultados do nosso estudo revelam que, em regra, fazem duas aulas de grupo por dia, uma de manhã e outra à tarde.  O que reforça a necessidade de dividir a licença de utilização de corredores de surf entre escolas, para bem gerir um espaço que não é infinito, uma proposta da Federação Portuguesa de Surf.

Outro aspeto que estudámos foi o número de alunos: segundo o que foi referido pelas escolas, no mar, o mais comum é cada treinador ter a seu cargo cinco a seis alunos com mais de 12 anos. Têm surgido queixas de que na época alta, por vezes, são aceites mais do que os seis alunos recomendados pela federação, o que pode prejudicar a segurança, sobretudo se o mar for difícil.

Além da segurança, o preço foi mais um fator que analisámos. Uma aula avulsa custa 15 a 40 euros nas escolas estudadas, pelo que compensa comprar pacotes, por exemplo, de 10 sessões. Mas a existência de instalações, com duche e cacifos, também pode pesar. As escolas da Ericeira praticam preços médios mais altos por aula avulsa (32,50 euros), mas, de acordo com o que vimos, oferecem as melhores condições. Já as da Costa de Caparica, com bons serviços, têm preços médios baixos (21 euros).

Como escolher a melhor escola?

Portugal tem mais de 500 escolas, segundo a Federação Portuguesa de Surf, mas apenas cerca de 300 estão registadas neste organismo: embora não seja obrigatório, pode ser um indicador de qualidade. Nada como respeitar, pois, alguns cuidados na escolha para maximizar a segurança.

  1. Começa por trocar experiências com quem conheça a escola. Depois, passa ao site da escola e procura o logótipo do Turismo de Portugal e da federação, ou o número de registo nestas entidades. Significam que é licenciada e federada, e tem treinadores habilitados para darem aulas. Usa as redes sociais e pesquisa informações sobre os treinadores. Se tudo estiver em ordem, a escola tem ainda os seguros obrigatórios.
  2. Prefire escolas com instalações físicas, pois oferecem casa de banho, duches e cacifos. Mais: à partida, estão mais visíveis para a fiscalização, o que as obriga a seguir as (poucas) regras que existem.
  3. As escolas devem fornecer o material. Verifica o estado das pranchas e dos fatos. Como são partilhados por várias pessoas, convém que cumpram mínimos de higiene.
  4. O corredor de surf, que a escola paga às capitanias para utilizar, deve estar identificado com bandeiras.
  5. O treinador e os alunos devem estar identificados, por exemplo, com camisolas coloridas da escola (as chamadas “licras”).
  6. Confire o número de alunos que cada treinador leva para o mar. A federação aconselha um máximo de seis, embora algumas escolas defendam que podem ser até oito. Mas, se a idade dos alunos for inferior a 12 anos, o rácio recomendado é de quatro por instrutor.

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